Direita chama esquerda na USP, e o parto urbanístico de Rondônia saiu muito bem

Montezuma Cruz (*)

Saudoso geógrafo Milton Santos, da Universidade de São Paulo (USP), é um personagem pouco conhecido na história de Rondônia. Pudera, ele trabalhava em sua mesa lá na Capital Paulista, ajudando a projetar o lado urbano de cidades por aqui. Assim foi com Rolim de Moura e sua larga avenida principal que agora dá espaço à formação de quatro bosques.

Geógrafo Milton Santos (Arquivo USP)
Santos e o arquiteto e urbanista Sílvio Sawaya, também da USP, foram contatados pelo então secretário territorial de planejamento, Luiz César Auvray Guedes, filho do ex-governador Humberto da Silva Guedes – um ser meio chato com jornalistas, porém, inteligente e suficientemente capaz de enxergar 50 anos à frente.
Ao que eu saiba, nem Guedes, nem Santos, nem Sawaya deram nome a alguma rua, avenida, creche e escola. Todos passaram como águias, relâmpagos, pelos capítulos da construção do Interior de Rondônia, ainda no regime militar.

Arquiteto Sylvio Sawaya (Revista Circuito)
Imaginem: o coronel governador Humberto Guedes, nomeado pelo general presidente Ernesto Geisel, trazendo notáveis esquerdistas da USP para fincar raízes urbanas e enfeitar a chamada Capital da Zona da Mata.
O economista Sílvio Persivo e seu colega administrador Jorge Elage coordenaram o Desenvolvimento e Articulação dos Municípios (Codram), divisão da antiga Seplan responsável pela organização dos novos municípios e seus planos urbanos. Ambos testemunham o bom trabalho feito à época pela equipe da USP.
Ipê plantado num
dos bosques de
Rolim de Moura
(Montezuma Cruz)
Pena que grande parte da população rondoniense segue arrotando fakes, desinformações nocivas, desconhecendo benfeitores que merecem ser lembrados pela história oficial.
Esses sabujos propagadores de lorotas e mentiras, nem dão conta de estudar um século atrás de nossa história, não têm ideia de quem foram: Santos, Sawaya, Persivo, Elage, Claude-Levy Strauss, e quando muito, conseguem pronunciar o nome do marechal Cândido Rondon.
Guedes, homem inteligente, alinhado à direita, soube equilibrar discussões e convidar a USP para tornar Rondônia bonita. Para tal, uniu pensadores de diferentes tendências.
Persivo lembrou-me do trabalho dos grupos de discussões em torno de uma diretriz de pensamento sobre o planejamento que se apoiava de certa forma nas ações do INCRA.
Segundo ele, Elage entendia “de tudo um pouco”, e o geógrafo Milton Santos foi o pensador do estado.”
Mas daí para dizer aos inflexíveis desinformados que existiu um pacto célebre de pensamentos para a concepção de Rondônia, a distância é oceânica. Eles teimam não aceitar e rejeitam estudar o assunto com profundidade.
Então, engulam e aprendam de vez, ouvindo quietinhos as palavras do próprio economista Sílvio Persivo: “Buscava-se fazer um estado onde houvesse uma hierarquia urbana e uma localização espacial que aproveitasse os projetos de colonização para criar uma riqueza mais bem distribuída, e nesse contexto os Núcleos Urbanos de Apoio Rural (NUARs) foram o grande laboratório das cidades.”
Estava, pois, consolidando o trabalho do geógrafo Milton Santos.
Ariquemes, Ji Paraná, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena tiveram digitais do governador Humberto Guedes.
A floresta uniu-se à cidade.
Direita e esquerda inteligentes souberam dar passos seguros para que tudo acontecesse. E aí está o estado mais pujante da Amazônia Ocidental Brasileira.
___
* Originalmente publicado no Cool do Mundo, jornal digital de Vilhena.
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