Ensino médico caro não garante qualidade, e rede pública supera privada em avaliação nacional

17 de março de 2026 • Por Dimas

Levantamento recente com base em microdados do Ministério da Educação (MEC), a partir dos resultados do Enamed, revela um cenário de desequilíbrio na formação médica no país. Apesar de mensalidades que podem alcançar até R$ 17 mil, estudantes de cursos de medicina em instituições privadas de alto custo apresentaram desempenho inferior ao de alunos de universidades públicas.

De acordo com a análise, os estudantes da rede privada obtiveram notas mais baixas em 94% das questões aplicadas no exame, evidenciando uma diferença consistente de rendimento acadêmico. O dado chama atenção sobretudo por ocorrer em um contexto no qual esses alunos, em média, possuem perfil socioeconômico mais elevado, com renda familiar superior a seis salários mínimos e maior escolaridade entre os pais.

O levantamento também aponta que, entre as 107 instituições classificadas com desempenho insatisfatório no exame, 87 pertencem à rede privada. O número reforça a predominância de resultados abaixo do esperado justamente no segmento que concentra parte significativa da expansão recente dos cursos de medicina no Brasil.

Diante desse quadro, o MEC decidiu suspender a autorização para abertura de novos cursos de medicina em faculdades particulares. A medida busca conter a ampliação de vagas sem garantias mínimas de qualidade acadêmica, em um momento de crescente preocupação com a formação de profissionais da área da saúde.

Os dados sugerem que o alto custo das mensalidades não se traduz, necessariamente, em melhor qualidade de ensino. Ao contrário, as universidades públicas seguem apresentando desempenho superior na avaliação de seus concluintes, consolidando sua posição de referência na formação médica no país.

Dimas Barbosa: SRTE 1524

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