Ministra Simone Tebet sai do governo e diz ter sido incentivada por Lula a disputar eleição

20 de março de 2026 • Por Dimas

BRASÍLIA – A ministra do Planejamento, Simone Tebet, confirmou nesta quinta-feira (12) que deixará o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar uma vaga no Senado por São Paulo. Ao anunciar a decisão, a emedebista afirmou que foi “provocada” ao longo dos últimos seis meses pelo próprio chefe do Executivo a assumir a candidatura.

A declaração foi feita durante participação no Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento, realizado em Campo Grande (MS). Segundo a ministra, a escolha de concorrer por São Paulo representa um passo estratégico em sua trajetória política e um movimento que, segundo ela, atende a um “chamado nacional”.

“São Paulo é atravessar um rio, é atravessar uma ponte. É onde fiz meu mestrado, onde tive projeção política. Política é missão, e eu vou com tranquilidade disputar um processo eleitoral que considero muito importante para o Brasil”, afirmou.

Decisão amadurecida com o Planalto

De acordo com Tebet, a decisão foi consolidada após conversas diretas com o presidente Lula. A ministra relatou que o petista passou meses incentivando sua candidatura, destacando a relevância de sua atuação em um dos principais colégios eleitorais do País.

“Eu fui provocada positivamente por seis meses. O presidente dizia que eu precisava cumprir um papel em nome do Brasil”, declarou.

Um dos fatores que pesaram na definição foi o desempenho eleitoral da ministra na disputa presidencial de 2022. São Paulo foi o Estado onde Tebet obteve sua maior votação proporcional, concentrando mais de um terço de seus votos totais.

Segundo ela, o convite formal ocorreu durante uma viagem oficial ao Panamá, em 27 de janeiro, quando Lula teria feito o apelo direto para que assumisse a candidatura ao Senado paulista.

Dilema pessoal e mudança de planos

Antes de aceitar a proposta, Tebet afirmou que enfrentou um dilema pessoal. Inicialmente, a intenção era disputar uma vaga por seu Estado de origem, Mato Grosso do Sul, onde construiu sua base política.

A decisão final, no entanto, passou por uma conversa familiar. “Eu precisava falar com a minha mãe, que tinha a expectativa de que eu pudesse voltar e estar mais próxima. Depois de explicar a situação, entendi que deveria cumprir essa missão”, disse.

Repercussão e cenário político

A saída de Tebet do governo abre uma nova configuração na Esplanada dos Ministérios e reforça a articulação política do Palácio do Planalto para as eleições de 2026. A eventual candidatura da ministra em São Paulo também deve impactar a disputa no maior colégio eleitoral do País, tradicionalmente marcado por forte competição entre diferentes forças políticas.

Nos bastidores, a movimentação é vista como parte de uma estratégia do governo para ampliar sua base no Sudeste, região considerada decisiva para o equilíbrio político nacional.

Ainda não há definição oficial sobre quem assumirá o comando do Ministério do Planejamento após a saída da ministra.

 

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