Lula abre disputa interna sobre futuro de Alckmin e indica vice como prioridade para 2026

20 de março de 2026 • Por Dimas

Foto: MSN

SÃO BERNARDO DO CAMPO — Em meio ao lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou, nesta semana, que o futuro político do vice-presidente Geraldo Alckmin ainda está em aberto — mas deixou claro que sua preferência é mantê-lo na chapa presidencial em 2026.

Durante discurso no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Lula afirmou ter conversado recentemente com Alckmin sobre seus próximos passos e indicou que a decisão deverá ser construída em conjunto com Haddad, principal nome do grupo para a disputa estadual.

“Ficarei imensamente feliz de ter o Alckmin como vice outra vez”, disse o presidente, ao elogiar a lealdade e a capacidade administrativa do aliado. “É um companheiro com muita competência de trabalho, um executivo extraordinário. Ele só me ajuda.”

Apesar da sinalização, Lula reconheceu que o desenho eleitoral em São Paulo pode influenciar diretamente a escolha. Segundo ele, Haddad precisa de uma composição competitiva para enfrentar a disputa estadual, o que pode abrir espaço para que Alckmin concorra ao Senado.

“A vaga de vice está aberta para ele, mas o Haddad precisa de uma chapa para ganhar”, afirmou o presidente, ao sugerir que ambos discutam a melhor estratégia.

Engajamento em São Paulo

Antes da fala de Lula, Alckmin adotou tom de campanha e reforçou o apoio à candidatura de Haddad. O vice-presidente afirmou que pretende percorrer todo o estado durante o processo eleitoral, em uma estratégia de proximidade com o eleitorado.

“Escrevam aí: o Haddad vai ganhar essa eleição”, declarou, ao prometer participação ativa na construção do programa de governo. Em seu discurso, destacou a necessidade de reverter o que classificou como “inércia” administrativa no Estado.

A avaliação foi endossada por Haddad, que, ao oficializar sua pré-candidatura, também criticou o atual cenário paulista e defendeu um projeto de desenvolvimento com viés social. Segundo ele, o Estado precisa retomar protagonismo econômico aliado a políticas públicas mais inclusivas.

Cálculo político

A indefinição sobre o destino de Alckmin revela um movimento estratégico do núcleo governista para 2026. Mantê-lo como vice garantiria estabilidade à chapa presidencial e reforçaria a aliança com setores mais ao centro do espectro político. Por outro lado, uma eventual candidatura ao Senado por São Paulo poderia fortalecer a presença do grupo no Congresso e ampliar a competitividade regional.

Nos bastidores, interlocutores avaliam que a decisão dependerá do equilíbrio entre o projeto nacional e a viabilidade eleitoral em São Paulo — Estado considerado peça-chave no tabuleiro político brasileiro.

Enquanto isso, Lula sinaliza que pretende conduzir a definição de forma negociada, preservando a unidade do grupo e maximizando as chances eleitorais tanto no plano federal quanto no estadual.

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