Cláudio Castro formaliza renúncia ao governo do Rio, às vésperas de julgamento no TSE

23 de março de 2026 • Por Dimas

RIO — O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), formaliza nesta segunda-feira, 23, sua renúncia ao cargo, em movimento que antecede a retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pode resultar na cassação de seu mandato e em sua inelegibilidade. A cerimônia oficial está prevista para o fim da tarde.

A saída antecipada é interpretada por interlocutores políticos como uma tentativa de reduzir os efeitos de eventual condenação e preservar o futuro eleitoral do governador, que avalia disputar uma vaga ao Senado.

Acusações e investigação eleitoral

O processo em análise no TSE apura suposto abuso de poder político e econômico durante a campanha de Castro. O Ministério Público Eleitoral acusa o governador e seu então vice, Thiago Pampolha, de envolvimento em um esquema de contratações irregulares de cerca de 27 mil pessoas por meio de estruturas como o Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, os pagamentos teriam ocorrido sem transparência, com saques em dinheiro que somam aproximadamente R$ 248 milhões. Há ainda relatos de pressão sobre servidores para participação em atos de campanha.

O julgamento já conta com dois votos favoráveis à condenação, e a expectativa é de que seja retomado nesta terça-feira, 24, com risco concreto de cassação e inelegibilidade por até oito anos.

Manobra política em debate

A decisão de renunciar antes do desfecho judicial é vista como uma estratégia jurídica e política. A avaliação no entorno de Castro é de que, fora do cargo, o processo poderia perder objeto, afastando a inelegibilidade.

Especialistas, no entanto, divergem dessa interpretação. Parte da comunidade jurídica sustenta que a renúncia não impede a aplicação de sanções eleitorais, sobretudo diante da gravidade das acusações em análise.

Transição e incerteza institucional

Com a saída de Castro e a ausência de vice-governador, a chefia do Executivo estadual deverá ser assumida interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro ficará responsável por eleger, de forma indireta, um governador que concluirá o mandato até dezembro.

O processo, contudo, ainda é cercado de incertezas. O Supremo Tribunal Federal suspendeu regras aprovadas para essa eleição indireta, deixando indefinidos critérios e formato da escolha.

Disputa eleitoral se intensifica

A renúncia ocorre em meio à crescente tensão política no estado. O ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que deixou recentemente o cargo para disputar o governo estadual, criticou duramente a decisão.

Em publicação nas redes sociais, Paes acusou o governador de tentar “fugir da Justiça” e classificou o episódio como um desrespeito às instituições.

Nos bastidores, a sucessão estadual ganha novos contornos. A definição do governador interino, bem como a ocupação de cargos estratégicos na Alerj e no Tribunal de Contas do Estado, tende a influenciar diretamente o cenário eleitoral fluminense nos próximos meses.

 

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