Receita abre prazo do Imposto de Renda 2026 com foco em tecnologia e declaração pré-preenchida

23 de março de 2026 • Por Dimas

Imposto de Renda 2026: prazo começa nesta segunda-feira e Receita reforça uso de tecnologia e declaração pré-preenchida

A Receita Federal inicia nesta segunda-feira (23) o prazo para envio da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026, referente aos rendimentos obtidos ao longo de 2025. O período de entrega se estende até as 23h59 do dia 29 de maio, mantendo o calendário concentrado em pouco mais de dois meses.

A expectativa do Fisco é repetir o volume elevado de declarações dos últimos anos, em um cenário marcado por maior digitalização dos processos e intensificação do cruzamento de dados para combater inconsistências.


Prazo, programa e formas de envio

O envio da declaração pode ser feito por meio do Programa Gerador da Declaração (PGD), disponibilizado pela Receita Federal, além das opções online e por aplicativo para dispositivos móveis.

O contribuinte também pode optar pela declaração pré-preenchida, que reúne automaticamente informações como rendimentos, despesas médicas e dados bancários — recurso que tem sido incentivado pelo governo por reduzir erros e acelerar a restituição.


Quem deve declarar

Embora a Receita Federal tenha divulgado oficialmente as regras neste mês, os critérios seguem, em grande parte, semelhantes aos dos anos anteriores. Estão obrigados a declarar, entre outros casos:

  • quem recebeu rendimentos tributáveis acima de cerca de R$ 35,5 mil em 2025;
  • contribuintes com rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte superiores a R$ 200 mil;
  • quem realizou operações em bolsa de valores ou obteve ganho de capital;
  • proprietários de bens acima de R$ 800 mil;
  • produtores rurais com receita bruta elevada.

A declaração continua sendo obrigatória mesmo para contribuintes que já tenham imposto retido na fonte, uma vez que o ajuste anual pode resultar em imposto a pagar ou restituição.


Restituições e prioridades

O calendário de restituições deve ocorrer entre maio e agosto, com pagamentos organizados em lotes.

Têm prioridade legal:

  • idosos, pessoas com deficiência ou doença grave;
  • professores cuja principal fonte de renda seja o magistério;
  • contribuintes que utilizarem a declaração pré-preenchida e optarem por receber via Pix.

Após esses grupos, a ordem de envio da declaração passa a ser determinante para a liberação dos valores.


Menos mudanças, mais fiscalização

Especialistas apontam que o IRPF 2026 não apresenta alterações estruturais relevantes em relação ao modelo anterior, mantendo a lógica de tributação progressiva conforme a renda.

Por outro lado, a Receita Federal tem ampliado o uso de tecnologia para identificar inconsistências, o que aumenta o risco de retenção na chamada “malha fina”. Entre os principais erros continuam:

  • omissão de rendimentos;
  • inconsistências com dados de dependentes;
  • deduções indevidas sem comprovação.

Novas regras de isenção e impacto futuro

Uma das principais mudanças tributárias recentes — como a ampliação da faixa de isenção para rendas mais baixas — começa a produzir efeitos a partir de 2026, mas com impacto mais direto nas declarações a serem entregues em 2027.

Segundo o governo federal, a medida deve beneficiar milhões de contribuintes, reduzindo a base de incidência do imposto e ampliando o poder de consumo.


Orientação ao contribuinte

A recomendação de especialistas é que o contribuinte reúna antecipadamente todos os documentos — como informes de rendimentos, comprovantes de despesas médicas e educacionais e dados de bens — para evitar erros e atrasos.

O envio antecipado, além de reduzir riscos de inconsistência, aumenta as chances de receber a restituição nos primeiros lotes.

 

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