Deputados vão pedir suspeição de Carlos Viana por conduzir CPMI do INSS: por haver “conflitos de interesse com a Lagoinha”, de André Valadão

24 de março de 2026 • Por Dimas

Os deputados governistas vão entrar com uma representação de suspeição sobre o presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), que judicializou a comissão e obteve aval do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF), para dar continuidade aos trabalhos do colegiado, que seriam encerrados, com leitura do relatório final, na sessão marcada para as 17h desta quarta-feira (25).

André Valadão, líder da Lagoinha, diz que “traição vem de perto” e tenta se desvencilhar de Zettel e Daniel Vorcaro.

A representação será feita pelos deputados Rogério Correia (PT-MG), Paulo Pimenta (PT-RS) e Alencar Santana Braga (PT-SP) e usará como justificativa para afastamento de Viana do comando da CPMI a relação próxima do senador com Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, e André Valadão.

Ambos são líderes da Igreja Lagoinha, que recebeu ao menos R$ 3,6 milhões em emendas de Viana, sendo que ao menos R$ 700 mil, conforme revelou a Fórum com exclusividade, foi aplicado no mercado financeiro pela ausência de projeto para execução da emenda, desdobrada de R$ 1,5 milhão enviados à Prefeitura de Belo Horizonte.

“Há conflito de interesses de Viana com a Igreja Lagoinha. Ele não pode continuar à frente da CPMI blindando o pastor e a igreja da qual faz parte e protege com emendas que estão sub judice”, afirmou Correia à Fórum.

Vice-líder do governo, Correia protocolou em novembro pedidos de convocação de Zettel, Valadão e a quebra de sigilo do Clava Fort Bank, instituição bancária ligada à Lagoinha que atuaria em empréstimos consignados e foi fechada após o escândalo das fraudes no INSS.

De acordo com o deputado mineiro, Viana agiu a todo momento para blindar os dois pastores e líderes da Lagoinha e aliados na política, como Nikolas Ferreira (PL-MG), que voou no jatinho de Vorcaro 10 vezes para fazer campanha a Jair Bolsonaro (PL). Zettel também foi o maior doador da campanha do ex-presidente, com R$ 3 milhões em doação como pessoa física. O pastor ainda destinou R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos-

Jogada ensaiada

Em uma jogada ensaiada com Viana, André Mendonça atendeu pedido dos oposicionistas e em decisão monocrática prorrogou a CPMI do INSS. O objetivo é usar a presidência do senador mineiro, aliado do clã Bolsonaro, para seguir blindando aliados da ultradireita, obter acesso a dados – vazados seletivamente para a mídia liberal – e fortalecer a narrativa para ligar o caso Master a Lula.

A decisão de Mendonça, no entanto, irritou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que classificou a decisão como “ingerência grave” do ministro nos trabalhos do legislativo.

Diante das críticas de Alcolumbre, Mendonça, que jogaria a decisão para a segunda turma do STF – onde tem maioria -, alegou “erro material e pediu “a inclusão do referendo da medida cautelar em sessão de julgamento virtual do plenário”.

No entanto, diante da gravidade dos fatos, o Supremo mudou o rito e levará o julgamento ao plenário presencial nesta quinta-feira (26) – após as 48 horas determinadas pelo ministro para que Alcolumbre formalizasse a prorrogação da CPMI.

O “erro” de Mendonça está calcado em interpretação dúbia do próprio regimento do Congresso.

O ministro, que atacou o que classificou como “omissão deliberada” de Alcolumbre, queria que o senador do Amapá oficializasse a prorrogação da CPMI em sessão do Senado.

No entanto, por se tratar de uma comissão mista – que conta com representantes tanto do Senado, quanto da Câmara -, a oficialização deveria ser feita em sessão conjunta das duas casas legislativas no Congresso Nacional.

O imbróglio causado por Mendonça, em tese, permitiria que os trabalhos da CPMI continuassem até decisão do plenário do STF. No entanto, diante da crise provocada pelo ministro, o caso será levado ao plenário já na quinta-feira.

A previsão é que a corte derrube a decisão de Mendonça, alegando justamente ingerência no legislativo, e a CPMI conduzida pelos parlamentares bolsonaristas acabe em pizza.

 

 

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