Liberação de Ramagem nos EUA ocorre enquanto governo brasileiro aguarda extradição

15 de abril de 2026 • Por Dimas

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) deixou, nesta quarta-feira (15), um centro de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês), em Orlando, após ter sido preso por questões migratórias. A liberação ocorre enquanto tramita nos Estados Unidos um pedido formal de extradição apresentado pelo governo brasileiro.

Ramagem havia sido detido na última segunda-feira (13), também em Orlando, após perder o passaporte diplomático — documento ao qual tinha direito enquanto exercia o mandato parlamentar, cassado em dezembro de 2025. Sem a prerrogativa, sua permanência no país passou a ser considerada irregular pelas autoridades migratórias americanas.

O ex-parlamentar está nos Estados Unidos desde setembro do ano passado, quando deixou o Brasil em meio ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que resultou em sua condenação a 16 anos de prisão por envolvimento em uma trama golpista. Na ocasião, o ministro Alexandre de Moraes determinou sua prisão imediata após proferir voto pela condenação.

Segundo investigações conduzidas pela Polícia Federal, Ramagem deixou o território brasileiro pela fronteira com a Guiana, na região de Bonfim (RR). Ele teria atravessado a divisa terrestre — marcada por um rio — e, já em solo guianense, embarcado com destino a Miami. Registros indicam sua entrada nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2025.

O processo de extradição foi formalizado em 30 de dezembro de 2025 pelo Ministério da Justiça brasileiro junto à Embaixada do Brasil em Washington, que encaminhou o pedido ao Departamento de Estado norte-americano. O caso segue em análise pelas autoridades dos EUA, sem prazo definido para decisão.

Delegado da Polícia Federal, Ramagem ganhou projeção ao presidir a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre julho de 2019 e março de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. Ele também atuou na segurança do então candidato nas eleições de 2018.

Em 2020, chegou a ser indicado por Bolsonaro para o comando da Polícia Federal, mas a nomeação foi suspensa por decisão de Alexandre de Moraes, em meio a questionamentos levantados pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro sobre possível interferência política na corporação.

Eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2022, com cerca de 59 mil votos, Ramagem disputou a Prefeitura da capital fluminense em 2024, ficando em segundo lugar, com 30,81% dos votos. A cassação de seu mandato foi consequência direta da condenação imposta pelo STF.

A liberação do ex-deputado pelas autoridades migratórias não altera, por ora, o andamento do pedido de extradição, que segue sob avaliação do governo norte-americano. Caso seja autorizado, Ramagem poderá ser devolvido ao Brasil para o cumprimento da pena determinada pela Corte.

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