Documentário sobre Zico estreia em SP e reforça legado que transcende rivalidades

16 de abril de 2026 • Por Dimas

Entre glórias e frustrações, filme resgata a grandeza de Zico dentro e fora de campo

A pré-estreia do documentário Zico, o Samurai de Quintino, realizada na noite desta quarta-feira, 15, em São Paulo, reuniu centenas de espectadores e evidenciou a dimensão do legado de Zico, cuja trajetória ultrapassa fronteiras clubísticas.

O evento, no Shopping Iguatemi, na zona oeste da capital paulista, atraiu torcedores de diferentes origens. “Sou santista, mas quis vir assistir ao filme porque acho que Zico foi o maior depois do Pelé”, afirmou um dos presentes, sintetizando a reverência que o ex-camisa 10 desperta mesmo fora do universo rubro-negro.

Ainda assim, a presença de flamenguistas foi marcante. Em clima de arquibancada, entoaram cânticos do Flamengo e se mobilizaram em torno do ídolo, que atendeu fãs e posou para fotos antes da exibição.

Dirigido por João Wainer, o documentário chega aos cinemas no dia 30 de abril e propõe uma leitura que vai além dos resultados esportivos. Com imagens de arquivo e depoimentos inéditos, o filme reúne nomes como Ronaldo, Carlos Alberto Parreira, Paulo César Carpegiani e Mauro Beting.

“Não é um filme sobre vitória e derrota”, afirmou Wainer. “O que importa é o legado, algo que ultrapassa o futebol.”

Nascido em 1953, no bairro de Quintino Bocaiúva, subúrbio do Rio de Janeiro, Arthur Antunes Coimbra construiu sua carreira a partir de um contraste inicial: franzino na infância, tornou-se referência de excelência técnica e inteligência em campo. O apelido que o consagraria surgiu ainda jovem, derivado de “Arthurzinho”, até chegar ao definitivo Zico.

Foi no Flamengo que atingiu o auge. Como protagonista da geração histórica do início dos anos 1980, liderou a conquista da Copa Libertadores da América de 1981 e, no mesmo ano, do Mundial Interclubes, em vitória emblemática sobre o Liverpool, em Tóquio.

Pela seleção brasileira, Zico simboliza simultaneamente o esplendor e a frustração. Na Copa do Mundo FIFA de 1982, foi o principal nome da equipe dirigida por Telê Santana, reconhecida pelo futebol ofensivo e refinado, embora eliminada pela Itália em uma das partidas mais emblemáticas da história do torneio.

Sua projeção internacional ganhou força na passagem pela Udinese, entre 1983 e 1985, período em que se tornou um dos grandes nomes do futebol europeu. Já na fase final da carreira, atuou no Kashima Antlers, contribuindo de forma decisiva para a consolidação do futebol profissional no Japão.

A relação com o país asiático se estendeu para além dos gramados: anos depois, Zico assumiu o comando da seleção japonesa, reforçando um legado que, como sugere o documentário, transcende estatísticas e títulos.

Mais do que revisitar conquistas, Zico, o Samurai de Quintino se propõe a examinar a dimensão simbólica de um personagem que se tornou sinônimo de excelência esportiva e conduta profissional — atributos que ajudam a explicar por que, décadas após seu auge, seu nome ainda mobiliza gerações.

Dimas Barbosa

Jornalista SRTE 1524 RO

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