White Martins inaugura em SP primeira fábrica de hidrogênio verde em escala industrial do País

16 de abril de 2026 • Por Dimas

Brasil avança no hidrogênio verde com nova planta industrial em Jacareí

A White Martins inaugurou nesta quarta-feira, 15, em Jacareí, a primeira fábrica de hidrogênio verde em escala industrial do Brasil. A unidade marca um avanço no desenvolvimento de combustíveis de baixo carbono no País, em um momento em que projetos semelhantes enfrentam entraves econômicos e geopolíticos no cenário internacional.

Controlada pela Linde plc, a companhia já operava uma planta em Pernambuco, de menor porte e com características de projeto piloto. A nova instalação paulista amplia significativamente a capacidade produtiva, com previsão de 800 toneladas de hidrogênio por ano.

Produzido a partir da eletrólise da água com uso de energia renovável, o hidrogênio verde é apontado como alternativa estratégica para a descarbonização de setores industriais intensivos em emissões. No Brasil, a competitividade potencial decorre da disponibilidade de fontes renováveis, como energia eólica e solar, com custos relativamente baixos.

Segundo o presidente da empresa na América Latina, Gilney Bastos, a produção diária da unidade é suficiente para abastecer uma indústria de médio porte por mais de um mês. Apesar da escala industrial, a operação demandará uma estrutura enxuta, com previsão de cerca de 15 postos de trabalho diretos.

Parte da produção — aproximadamente 20% — será destinada à fábrica da Cebrace, também localizada em Jacareí. O restante atenderá segmentos como metalurgia, química e alimentos, em um mercado no qual a empresa já possui ampla base de clientes.

Mercado interno e desafios globais

O avanço do hidrogênio verde, contudo, ainda enfrenta obstáculos relevantes. O custo elevado de produção e a incerteza regulatória em diferentes países têm desacelerado projetos, especialmente aqueles voltados à exportação. No cenário internacional, fatores geopolíticos e mudanças de políticas energéticas também contribuem para a cautela dos investidores.

Nesse contexto, a estratégia da White Martins prioriza o mercado doméstico. De acordo com Bastos, a demanda interna tende a se consolidar antes da viabilização de grandes projetos de exportação, que exigem escala muito superior e infraestrutura logística mais complexa.

Um dos pontos centrais da iniciativa é a competitividade de preços. A empresa afirma ter alcançado custos equivalentes aos do chamado hidrogênio cinza — produzido a partir de gás natural e com maior impacto ambiental —, sem repassar prêmio ao produto sustentável. A decisão reflete uma estratégia de estímulo à formação de mercado.

Entre os fatores que contribuíram para essa competitividade estão a autoprodução de energia renovável, em parceria com geradoras privadas, e a escala global da companhia, que permite ganhos de eficiência em engenharia e operação.

Perspectivas

Apesar do avanço representado pela planta de Jacareí, o empreendimento ainda é considerado de pequeno porte frente aos projetos em desenvolvimento no Nordeste, voltados à exportação. Essas iniciativas podem demandar investimentos bilionários e atingir capacidade produtiva até 20 vezes superior.

Estimativas de mercado indicam que o custo global do hidrogênio verde ainda precisa cair de forma significativa para competir amplamente com combustíveis fósseis. Ainda assim, especialistas apontam que a tendência de longo prazo favorece a expansão do setor, à medida que políticas de descarbonização ganham tração.

Nesse cenário, a nova unidade da White Martins representa um passo relevante na consolidação da cadeia produtiva no Brasil, com foco inicial no atendimento à indústria local e na construção de escala para futuras oportunidades no mercado internacional.

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