Whirlpool centraliza produção no Brasil e desativa operação industrial na Argentina

Reestruturação industrial leva Whirlpool a concentrar operações no interior de São Paulo
A Whirlpool decidiu concentrar sua produção regional no Brasil e retirar a atividade industrial da Argentina, em um movimento que reforça a centralidade da unidade de Rio Claro (SP) na estratégia da companhia na América Latina.
Segundo a empresa, a manufatura anteriormente realizada na planta de Pilar, na Argentina, será gradualmente absorvida pela fábrica paulista, que possui capacidade instalada para internalizar a produção. A transição ocorrerá por meio de ajustes operacionais e logísticos ao longo de um cronograma ainda em implementação.
A decisão foi formalizada também em documento de transação com parte relacionada, no qual a companhia informa a aquisição, em 23 de janeiro de 2026, de ativos industriais e bens operacionais da filial argentina. O valor estimado da operação é de US$ 36,7 milhões (cerca de R$ 194,1 milhões, conforme a taxa de câmbio considerada pela empresa).
Contexto industrial
O fechamento da unidade de Pilar ocorre em meio a um cenário de retração da atividade manufatureira na Argentina. Dados divulgados pelo INDEC indicam que a produção industrial caiu 8,7% em fevereiro de 2026 na comparação anual, com recuo de 6,0% no acumulado do primeiro bimestre.
O movimento da Whirlpool não é apresentado oficialmente como resposta a políticas específicas, mas se insere em um ambiente de contração industrial associado à queda do consumo doméstico e ao aumento da concorrência de produtos importados. Relatos de mercado e levantamentos recentes apontam fechamento de fábricas e redução de operações no país.
Reconfiguração regional
Com a mudança, a Argentina deixa de ser polo produtivo e passa a atuar prioritariamente como mercado consumidor. A empresa informou que continuará abastecendo o país por meio de produtos fabricados em outras unidades e distribuídos pela operação local.
No Brasil, a unidade de Rio Claro, já considerada estratégica, amplia seu peso na estrutura industrial da companhia. O reposicionamento reforça o papel do país como base manufatureira regional da multinacional.
A reorganização evidencia um redesenho das cadeias produtivas no Cone Sul, em um contexto de assimetrias econômicas entre os países. Enquanto a Argentina registra perda de dinamismo industrial, o Brasil absorve capacidade produtiva, ativos e maior protagonismo na operação da empresa.
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