“Acabar esse aqui vou lá buscar mais” – A CAÇAMBADA DOS GARIMPEIROS (II)

Por Lúcio Albuquerque
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Com a descoberta da cassiterita no final da década de 1950, primeiro nas terras do seringalista Joaquim Pereira da Rocha, houve uma “corrida” rumo à selva da região com a chegada, por aviões e/ou barcos, de milhares de garimpeiros atraídos para a possibilidade de coletar o minério praticamente a céu aberto.
Ouvi de antigos garimpeiros que era tanta cassiterita “que parecia que o dinheiro brotava do chão”, ou histórias, de boêmios e jornalistas, de quando eles chegavam nos bordéis carregando sacos de 50 quilos cheios de dinheiro e anunciavam: “Fecha tudo, ninguém mais entra e nem sai. A despesa é minha porque de onde eu vim tem muito mais, é só pegar do chão”.
Conhecido notívago, o jornalista Euro Tourinho (1922/2019) contava que algumas vezes estava em algum desses lugares e aparecia um garimpeiro “bamburrado”. Ele lembrava: “Quem mais gostava eram as mulheres, porque a noitada ia ser boa para elas, mas a turma casada tinha de dar o jeito me sair antes do dia amanhecer”.
Com cada vez chegando mais garimpeiros, muitos deles abrindo a selva rumo a novos grotões, isso cobrava ao centro maior, Porto Velho, um comércio mais bem aparelhado, o que fazia os preços subirem muito, ainda mais porque podiam pagar bem, numa concorrência desleal com os trabalhadores da cidade.
A “vila Papagaio”, como chamavam a “Velha Ariquemes”, que em 1976 passaria a ser a nova cidade de Ariquemes, onde havia uma pequena pista de pouso inaugurada com uma “revoada” de aeroplanos no início da década de 1950, foi expandida e passou a receber vários pousos e decolagens todos os dias.
A garimpagem se expandiu, desde a vila de Tabajara, onde ficavam as terras do sr. Rocha e pequenas currutelas começaram a surgir, originando novas vilas, como Campo Novo de Rondônia e outras, depois elevadas a municípios, ajudando a formar a estrutura do Estado.
Até 1970 a garimpagem foi boa para os garimpeiros e para o comércio de Porto Velho que vendia com bons lucros, atraindo comerciantes de vários estados, alguns deles se instalando na pequena vila de Ariquemes, a 200 KM da capital e ligada pela rodovia BR-29 (depois 364) e dali entrando na selva abrindo caminho para o surgimento de outras vilas que, depois, ajudaram a formar novos municípios.
Fundada na década de 1910/20, a Loja Atallah era uma liderança do comércio nos tempos do garimpo
Jornalista Euro Tourinho, muitas histórias das noites portovelhenses
Praça dos Garimpeiros, homenagem de Campo Novo de RO aos que ajudaram a criar a cidade
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