Defesa reforça cumprimento de medidas e nega irregularidades em prisão domiciliar de Bolsonaro

30 de março de 2026 • Por Dimas

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma manifestação em que afirma que ele só tomou conhecimento de um vídeo citado por seu filho, Eduardo Bolsonaro, após ser formalmente intimado pelo ministro Alexandre de Moraes. O documento reforça que não houve qualquer ciência prévia do conteúdo nem participação do ex-mandatário na gravação ou divulgação do material.

Contexto do caso

A questão surgiu após Moraes solicitar esclarecimentos sobre uma declaração de Eduardo Bolsonaro durante participação em um evento conservador realizado no estado do Texas, nos Estados Unidos. Na ocasião, ele teria aparecido com um celular, afirmando que gravava um vídeo para mostrar ao pai, o que levantou suspeitas sobre eventual descumprimento das medidas impostas ao ex-presidente.

Segundo os advogados, entretanto, o episódio só chegou ao conhecimento de Bolsonaro após a notificação judicial. Na petição enviada ao STF, a defesa sustenta que a gravação foi feita por terceiros, em ambiente internacional, e posteriormente divulgada em redes sociais, sem qualquer envolvimento direto ou indireto do ex-presidente.

Defesa nega comunicação irregular

Outro ponto central da manifestação é a negativa de qualquer tipo de comunicação irregular durante o período de prisão domiciliar. A equipe jurídica argumenta que não existe prova concreta de contato entre Bolsonaro e outras pessoas por meios proibidos.

De acordo com o texto apresentado ao STF, não há “qualquer dado objetivo” que indique comunicação direta ou indireta com terceiros, tampouco uso de dispositivos eletrônicos, gravações ou redes sociais — itens expressamente vetados pelas medidas cautelares em vigor.

A defesa também enfatiza que todas as determinações judiciais vêm sendo cumpridas de forma rigorosa, sem exceções.

Prisão domiciliar e restrições

O ex-presidente está em prisão domiciliar desde o dia 27 de março, após permanecer internado por cerca de duas semanas em um hospital particular em Brasília para tratar um quadro de broncopneumonia. A conversão do regime foi determinada por Alexandre de Moraes, que estabeleceu uma série de medidas cautelares.

Entre as restrições impostas estão:

  • uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
  • proibição de acesso a celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos;
  • impedimento de utilização de redes sociais;
  • limitação de contatos com terceiros, conforme as regras fixadas pelo STF.

Situação jurídica

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado após as eleições presidenciais de 2022. O caso segue sob acompanhamento do STF, e qualquer eventual descumprimento das medidas pode resultar em sanções adicionais ou revisão das condições da prisão.

O pedido de esclarecimentos feito por Alexandre de Moraes faz parte do monitoramento contínuo do cumprimento dessas determinações. Já a defesa busca demonstrar que não houve violação das regras, reforçando que o ex-presidente permanece alinhado às exigências impostas pela Justiça.

Desdobramentos

O STF deve analisar as informações apresentadas pela defesa para decidir se houve, ou não, irregularidade no episódio envolvendo o vídeo citado por Eduardo Bolsonaro. Dependendo da avaliação, novas medidas podem ser adotadas ou o caso pode ser arquivado em relação a esse ponto específico.

Enquanto isso, o episódio reforça o clima de vigilância sobre o cumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente, especialmente no que diz respeito à comunicação com o público e ao uso de meios digitais.

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