Registros inéditos mostram escalada da crise no Banco Master e atuação do BRB

18 de abril de 2026 • Por Dimas

BRB sustentou crise do Banco Master com aportes desde 2024, indicam mensagens

Diálogos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo revelam que o Banco Master recorreu de forma recorrente ao Banco de Brasília desde ao menos agosto de 2024 para enfrentar uma deterioração crescente de sua liquidez. As conversas, extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, indicam que a dependência financeira antecedeu em meses o anúncio público de aquisição parcial da instituição privada pelo banco estatal, feito em março de 2025.

As mensagens mostram pedidos frequentes e urgentes por recursos, muitas vezes vinculados à cessão de carteiras de crédito consignado e outros instrumentos financeiros. Em um dos diálogos, datado de 2 de setembro de 2024, Vorcaro cobra uma definição sobre a liberação de valores e menciona risco imediato de devolução de recursos. A interlocução ocorre com Augusto Lima, que responde indicando tratativas em andamento.

Nos dias seguintes, a pressão se intensifica. Vorcaro insiste na necessidade de uma resposta rápida sobre operações envolvendo cédulas de crédito bancário. Em outra mensagem, demonstra preocupação com atrasos relevantes em aportes que chegariam à casa das centenas de milhões de reais.

Os registros indicam que, a partir de julho de 2024, o Banco Master passou a estruturar operações recorrentes com o BRB para obtenção de liquidez. Em dezembro daquele ano, a situação já exigia reforços substanciais de caixa, com pedidos que alcançavam cerca de R$ 600 milhões.

No início de 2025, o cenário se agrava. O banqueiro relata dificuldades para viabilizar novas carteiras de crédito a serem repassadas ao BRB, diante de exigências mais rigorosas na seleção dos ativos. As conversas sugerem que apenas carteiras consideradas de maior qualidade eram aceitas.

Segundo investigações, até o fim de 2024 os ativos negociados possuíam lastro real. Posteriormente, contudo, o banco teria passado a estruturar carteiras sem respaldo suficiente, com o objetivo de manter o fluxo de recursos. Nesse contexto, surgem operações envolvendo a empresa Tirreno, apontada como veículo para simulação de transações.

Entre janeiro e março de 2025, antes mesmo do anúncio formal da tentativa de aquisição, o Banco Master transferiu cerca de R$ 4,6 bilhões ao BRB por meio de 20 contratos. Os valores foram distribuídos ao longo dos três meses, em operações sucessivas.

A operação de compra de participação no Banco Master pelo BRB, estimada em R$ 2 bilhões, acabou barrada pelo Banco Central do Brasil em setembro de 2025. As apurações indicam que as carteiras consideradas problemáticas somaram R$ 12,2 bilhões.

O caso evoluiu para investigações mais amplas sobre supostas fraudes bilionárias, envolvendo fundos de investimento e operações simuladas. A crise culminou na liquidação do Banco Master em novembro de 2025 e na prisão de envolvidos, incluindo o então ex-presidente do BRB, sob suspeita de participação em irregularidades.

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