Petrobras avalia recompra estratégica em meio à dependência de importações


A Petrobras mantém negociações iniciais com o fundo soberano Mubadala Investment Company para recomprar a Refinaria de Mataripe, localizada na Bahia. As conversas, ainda em estágio preliminar, ocorrem diretamente entre representantes das duas instituições no exterior, segundo fontes com conhecimento do assunto.
A refinaria, que é a segunda maior do país em capacidade, foi vendida em 2021 durante o processo de desinvestimentos da estatal. Atualmente, o ativo é operado pela Acelen, empresa controlada pelo Mubadala.
O tema voltou ao centro das discussões após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sinalizou a intenção de retomar o controle da unidade. Na sequência, a Petrobras confirmou que avaliaria a viabilidade da operação, que agora ganha novo impulso diante do cenário internacional.
Contexto de pressão no mercado
A disparada dos preços do petróleo, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, reforçou a necessidade de ampliar a capacidade de refino no Brasil. Apesar de ser autossuficiente na produção de petróleo bruto, o país ainda depende da importação de derivados, especialmente diesel — responsável por cerca de 25% do consumo nacional.
Nesse contexto, a recompra da refinaria é vista como uma possível estratégia para reduzir a exposição do país às oscilações externas e garantir maior segurança no abastecimento interno.
Negociações e desafios
De acordo com fontes, há interesse mútuo na negociação, mas ainda existem pontos relevantes a serem definidos, principalmente em relação ao valor do ativo. A refinaria foi vendida por cerca de US$ 1,65 bilhão, mas passou por novos investimentos desde então, o que pode elevar seu preço.
Outro fator em análise é a capacidade operacional da unidade. Embora tenha atingido recordes de processamento em 2025, atualmente a refinaria estaria operando abaixo de seu potencial, enquanto o parque de refino da Petrobras opera próximo do limite para atender à demanda doméstica.
Perspectivas
As negociações seguem em andamento, e há expectativa de que um eventual acordo possa ser fechado ainda em 2026, embora não haja garantias. A relação considerada positiva entre Petrobras e Mubadala pode facilitar o avanço das conversas.
Procuradas, as duas empresas não comentaram oficialmente o tema.
Caso a operação se concretize, a recompra da refinaria pode marcar uma mudança relevante na estratégia da Petrobras, reforçando o foco no mercado interno e na redução da dependência de importações em um cenário global cada vez mais volátil.
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